"Era uma vez um rei que queria saber qual seria a linguagem natural falada pelos seres humanos quando não influenciados pela linguagem que falavam os outros.
Então, separou um grupo de recém nascidos e confinou-os em um lugar onde tivessem os cuidados necessários à sobrevivência, mas não tivessem contato com as outras pessoas.
Sabe o que aconteceu com essas crianças? Morreram. Morreram por falta de estímulos, ou por falta de Carícias."
Carícias (reconhecimento do outro) são necessários à vida. Imaginem quantas crianças não são reconhecidas pelos próprios pais/família? Quantas esposas(os) não são reconhecidos pelo o outro(a)? Quantos funcionários não são reconhecidos pelas empresas?
Como nos sentimos? Como o cão abandonado - com medo, às vezes violento, isolado das pessoas, com raiva, ódio, ficamos mal humorados, vazio, etc.
Como se recuperar da falta de caricias? Óbvio. Recebendo carícias.
Era uma vez, há muito tempo, um casal feliz que tinha dois filhos, um
menino e uma menina. Naquela época, quando as pessoas nasciam, recebiam um
saquinho cheio de carinhos. Por isso, todos tinham seu próprio recipiente de
carinhos ao longo da vida.
Sempre que a pessoa
punha a mão no saquinho, podia tirar um Carinho Quente. Eles faziam as pessoas
se sentirem felizes e protegidas, cheias de aconchego. Quem não recebia
Carinhos Quentes se expunha ao perigo de pegar uma doença nas costas que fazia
murchar e morrer.
Era fácil receber
Carinhos Quentes. Sempre que alguém queria, bastava ped-los. Colocando-se a mão
no saquinho, aparecia um carinho do tamanho da mão de uma criança. Ao vir à
luz, o Carinho expandia-se e transformava-se num grande Carinho Quente, que
podia ser colocado no ombro, na cabeça, no colo. Então, misturava-se com a pele
e a pessoa se sentia feliz.
As pessoas viviam
pedindo Carinhos Quentes umas às outras e nunca havia problemas para
consegui-los, pois eram gratuitos. Por isso todos eram felizes e cheios de
carinhos, na maior parte do tempo.
Um dia, uma bruxa má
percebeu que, sendo felizes, as pessoas não compravam as poções mágicas que ela
vendia. Então, inventou um plano malvado. Certa manhã, chegou perto do homem,
enquanto sua esposa brincava com sua filha, e cochilou no ouvido dele: “Olhe os
carinhos que sua mulher está dando à sua filha. Se continuar assim, ela vai
consumir todos os carinhos e não sobrará nenhuma para você” O marido ficou
surpreso: “Quer dizer então que não é sempre que existe um Carinho Quente no
saquinho?” A bruxa respondeu: “Exatamente. Eles podem acabar, e você não os
ganhará mais”. Disse isso e foi embora, montada em sua vassoura, gargalhando
muito.
O marido ficou
preocupado. Começou a reparar nos Carinhos Quentes que sua esposa dava às
outras pessoas, pois temia perdê-los. E foi se queixar à esposa, de quem
gostava muito. Ao mesmo tempo, resolveu parar de dar carinhos aos outros,
reservando-os só para ela.
As crianças perceberam
e passaram também a economizar carinhos, pois entenderam que era errado andar
distribuindo Carinhos Quentes por aí. E todos foram ficando cada vez mais
mesquinhos.
O resultado apareceu
logo: as pessoas do lugar começaram a se sentir menos aconchegados. Cada vez
mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos e poções. Algumas pessoas
chegaram até a morrer por falta de Carinhos Quentes. Mas a bruxa não queria
realmente que as pessoas morressem, porque, se isso acontecesse, deixariam de
comprar as poções. Então, inventou um novo plano: todos ganhariam um saquinho
muito parecido com o dos Carinhos Quentes, só que conteria Espinhos Frios. Os
Espinhos Frios eram gratuitos e ilimitados, faziam as pessoas se sentirem frias
e espetadas, mas evitavam que murchassem.
Daí para frente,
sempre que uma pessoa dizia: “Eu quero um Carinho Quente”, aqueles que tinham
medo de diminuir seu suprimento respondiam: “Não posso dar-lhe um Carinho
Quente, mas, se você quiser, cedo-lhe um Espinho Frio”.
Com isso, os Carinhos
Quentes foram ficando cada vez mais raros e valiosos. As pessoas tentavam de
tudo para consegui-los.
Antes do plano da
bruxa, as pessoas costumavam reunir-se em grupos de três, quatro, cinco, sem se
preocupar com quem estava dando carinho para quem. Depois que a bruxa apareceu,
elas começaram a se juntar aos pares e a reservar seus Carinhos Quentes
exclusivamente para seus parceiros. Quando se esqueciam e davam um Carinho
Quente para outra pessoa, logo se sentiam culpadas. Quem não conseguia
encontrar um parceiro generoso precisava trabalhar muito para comprar carinhos.
Algumas pessoas
tornavam-se simpáticas e recebiam muitos Carinhos Quentes sem ter de
retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos que precisavam. Outras pegavam os
Espinhos Frios, cobriam com uma cobertura branquinha e estufada, fazendo-os
passar por Carinhos Quentes. Eram, na verdade, carinhos falsos, de plásticos,
que causavam novas dificuldades. Por exemplo, duas pessoas juntavam-se e
trocavam entre si, livremente, seus Carinhos Plásticos. Sentiam-se felizes
durante alguns momentos, mas logo em seguida o bem-estar acabava. Como pensavam
estar trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas.
A situação foi se tornando cada vez mais
grave. Até que um dia uma mulher especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha
ouvido falar da bruxa e não se preocupava com o fim dos Carinhos Quentes.
Entregava-os de graça, mesmo quando não eram pedidos. As pessoas do lugar
reprovaram a atitude da mulher, pois achavam que ela transmitia às crianças a
noção errada de que não deviam se preocupar com a possibilidade de os carinhos
acabarem. Chamavam a mulher de Pessoa Especial.
As crianças gostavam
muito da Pessoa Especial, porque se sentiam bem em sua presença, e passaram a
dar Carinhos Quentes sempre que tinham vontade.
Os adultos ficaram
muito preocupados e decidiram impor uma lei para proteger as crianças do
desperdício dos Carinhos Quentes. A lei dizia que era crime distribuir Carinhos
Quentes sem uma licença. Muitas crianças, porém, continuavam a trocar Carinhos
Quentes sempre que tinham vontade ou quando alguém os pedia. Como existiam
muitas crianças no lugar, parecia que elas prosseguiriam seu caminho.
Algumas daquelas
crianças cresceram e, quando adultas, ainda continuaram espalhando Carinhos
Quentes de graça, Mas algumas não
Aquelas crianças que
cresceram se tornaram eu e você. Às vezes, agora como adultos, ainda nos
lembramos de como é bom dar e receber Carinhos Quentes, mas às vezes ainda
pensamos na lei da bruxa e acreditamos que ela ainda esteja em vigor. Será que você
tem medo da bruxa? Ou já é uma Pessoa Especial?
“Todo ser humano nasce com a capacidade de procurar aquilo de que
precisa. Isso é verdade tanto para coisas concretas, como alimentos quanto para
coisas abstratas, como estímulos afetivos (caricias). Com o tempo, muitas pessoas perdem a capacidade de buscar.
Em lugares onde não há
assistência medica, a criança quando está com anemia come terra. E ela não come
qualquer terra, mas leva à boca apenas, a que tem ferro, que é do que ela
precisa. Quando o pai vê o filho fazendo isso, já deduz que ele está com
lombrigas, pois é um verme que costuma consumir o ferro do organismo.
Você já deve ter
ouvido sua mãe ou avó falar que no interior as mulheres grávidas comiam casca
ou pintura da parede. O feto consome muito cálcio do organismo da mãe e, no
interior, em geral, as casas eram caiadas, ou seja, pintadas com cal e ricas em
cálcio.”
Mas
o que é caricia? “É a unidade do reconhecimento humano. As pessoas demonstram
que se reconhecem, que se importam umas com as outras, por intermédio da troca
de caricias. Caricias são vitais. São estímulos necessários à vida.”
Todos
os seres humanos necessitam de caricias/afetos para sobreviver. Quando não recebemos caricias agimos de tal forma para conseguir o estimo - como: isolando das pessoas, criando barreiras para não se envolver com o
outro(a); arrumando brigas/discussões, ficando doentes sem estar (hipocondria),
sendo o pior aluno(a) da escola (o bagunceiro), sendo
inseguro em tudo, estando sempre alegre (infeliz ou zangado(a)), medo da
solidão, e etc. Fazemos tudo isso e/ou mais quando estamos carentes de caricias.
Então,
qual o tamanho do seu apetite por caricia/afeto? O tempo não cura a sua carência afetiva, mas um abraço, sim.