Mortes, guerras, terremotos, enchentes, doenças,
violência, desemprego, divórcios, crise econômica, corrupção e outros fatores
classificam o século 21 como o século dos deprimidos. A Organização Mundial de
Saúde estima que 9,5% das mulheres e 5,8% dos homens passarão por um episódio
depressivo num período de 12 meses, mostrando uma tendência ascendente nos
próximos vinte anos (World Health Organization). Outro dado da Organização
Mundial de Saúde há em todo planeta cerca de 121 milhões de pessoas com
depressão. No Brasil há cerca de 17 milhões de pessoas que sofrem deste
transtorno, de acordo com o Ministério da Saúde.
De modo geral depressão é uma alteração no humor
caracterizada por uma tristeza profunda, isolamento social, indecisão,
diminuição da libido, alteração no sono, comprometimento nas atividades
laborativas e relacionamentos interpessoais, hiporreatividade, retardo
psicomotor, alteração de apetite, alteração de peso, perda de interesse e
prazer, fadiga fácil, idéias prevalentes, idéias delirantes.
Há, no cérebro, um neurotransmissor chamado
serotonina cuja função é regular o humor, o sono e o apetite. Ela também “cria”
um sentimento de “bem-estar” em nós. Ultimamente, descobriu-se que a deficiência
de dopanima e a noradrenalina também estão ligadas à depressão. Como nosso
organismo busca um equilíbrio, durante a depressão há um déficit na produção da
serotonina, dopamina e noradrenalina, ou seja, o objetivo da medicação
(antidepressivos) é para que haja um equilíbrio no organismo.
Mas o que leva uma pessoa a ter uma depressão? É
sabido que o biológico (genética ou doenças) pode desencadear uma depressão. O
desequilíbrio hormonal (principalmente nas mulheres) pode afetar no desempenho
sexual, humor e produtividade. Outro exemplo é a enxaqueca. A enxaqueca causa
um desequilíbrio bioquímico em certas localidades do cérebro envolvendo os neurotransmissores, além de neuropeptídeos e
hormônios. Neurotransmissores e neuropeptídeos são substâncias que o cérebro
produz, responsáveis pelo humor e comportamento. Por esta razão que a enxaqueca
anda “lado a lado” com a depressão e ansiedade. Neste caso (depressão
biológica), vale lembrar que a medicação consegue equilibrar o humor com mais
facilidade.
Outro fator que pode desencadear uma depressão são os
“fatores externo” ou “ambientais” como guerras, epidemias, desemprego,
divórcios, famílias destruturadas crise econômica, violência, corrupção,
miséria, fome, competição no mercado de trabalho, desafio de “ter” sucesso na
vida profissional e amorosa, estar sempre feliz, atender todas as expectativas
sociais, podem desencadear uma depressão. São fatos que esta sociedade louca criou.
A sociedade criou um câncer. Milhares de pessoas estão desenvolvendo este
transtorno. Portanto, não vale à pena viver nesta condição. Caso seja
necessário, procure ajuda de um psicólogo para auxiliá-la(o) resgatar o lado
bom da vida.
Por fim, deixo esta reflexão: Quantas vezes tivemos
momentos felizes, uma ligação de uma pessoa especial não esperada, um abraço
confortante de um amigo(a), o primeiro “eu te amo” da namorada(a), um abraço de
um pai ou de uma mãe, mas preferimos o ódio do que o amor, o inferno do que o
céu?