“Feliz realmente é aquele que consegue satisfazer os desejos do seu
coração. Mas quando não o consegue, o que então experimenta é a dor, como
quando se é ferido por uma flecha. Aquele que se acautela contra os prazeres
dos sentidos, assim como faria para não pisar numa cobra, como fruto mesmo da
permanente vigilância, evita o perigo dos desejos que possam ter conseqüências
indesejáveis. Quem está sempre dominado pelos ardentes desejos de posse,
terrenos, fazendas, ouro, gado, criados, mulheres, parentes, etc., será
finalmente derrotado pelos problemas e soçobrará, assim como o barco fendido
quando invadido pelas águas.Permanecei vós, portanto, sempre em vigilância,
evitando os prazeres dos sentidos e libertando-vos do desejo.Aliviando, pois, o
barco de toda carga inútil, atravessai então a correnteza e atingi a segurança
da outra margem – Nirvana”. (Sutta Nipata, coleção Atthaka.)
Segundo a filosofia oriental, o desejo com o apego é a chave para
infelicidade. Desejar é inerente ao homem. Desejamos
comida, sexo, casa, relacionamentos saudáveis, bons empregos, saúde, estética e
etc, O desejar é o combustível do nosso mover, porém o apego é o combustível da
infelicidade. Para Buda, o “sofrimento é
causado pelo apego ao desejo e ao intenso ‘querer’ do ser humano, a sede de
prazeres físicos, uma ânsia que nunca pode ser plenamente saciada e que,
portanto, sempre irá provocar um sentimento de desprazer.”
O
apego nos deixa um escravo. Escravo do prazer, escravo do dinheiro, escravo do
que virá... Sou escravo ou sou uma pessoa livre?